Artigo por Mário César de Camargo, Diretor do Rotary International: O Brazilian ou South American Storm no surfe vale para o Rotary?

Sintonize o canal de esportes radicais Off e conhecerá o Brazilian Storm: o grupo de surfistas contemporâneos brasileiros que tomou o surfe profissional de assalto, produzindo campeões mundiais, e quebrando a hegemonia americana e havaiana (sim, no surfe o Havaí é país independente).

Poderíamos replicar o South American Storm no Rotary?

Estou a seis meses do fim da gestão de seis anos, quatro como curador, dois como diretor. Nesses 66 meses, detectei um pequeníssimo número de brasileiros e sul-americanos nos comitês decisórios do Rotary e da Fundação Rotária. A morte prematura do curador Hipólito Ferreira por covid, em meados de novembro, me fez aprofundar a reflexão sobre os espaços ocupados por nosso continente.

As posições de direção do RI-TRF somam mais de 200, considerando alguns comitês provisórios, permanentes, diretores, curadores. Não considerei para análise os cargos zonais, privativos dos nativos, como coordenadores regionais, EMGAs, Pólio, DQA, Fundação, Imagem.

A América do Sul tem seis representantes nos comitês mundiais do Rotary e Fundação, traduzindo pouco menos de 3% dos quadros. Vale lembrar que somos 74 mil rotarianos nas zonas 23 e 24, aproximadamente 6% do quadro de associados mundial. Em comparação, os EUA, com um quarto da população rotária mundial, retém mais de 35 % das posições em comitês.

Como preposto da região no Conselho Diretor, uma das minhas preocupações estratégicas é aumentar o efetivo humano da cultura sul-americana nos comitês do Rotary-TRF. Mas, na indicação, confesso por vezes minha ignorância a respeito dos talentos zonais, para ocupar postos na direção. Proponho um caminho de qualificação para o futuro:

  • Um levantamento dos talentos zonais, com desempenho, metas atingidas, programas e projetos realizados, analisados sob a ótica dos interesses do Rotary. Quadro associativo, captação para a Fundação, imagem pública dos projetos. Dados objetivos, resultados permanentes (não vale restringir ao ano de governadoria, ou presidência de clube; também o legado e a contribuição ao sucessor devem entrar no mapa);
  • Um programa de qualificação. Entram dados subjetivos, como proficiência de língua, disponibilidade no momento da assunção da tarefa, trânsito entre os companheiros, capacidade de seguimento de programas e aglutinação de voluntários. Líderes futuros devem ter mentores, capacitação, atualização de informações da sede, participação nos eventos e seminários de treinamento;
  • Promoção das lideranças emergentes, mitigando o caráter político das disputas por cargos, permitindo a ascensão de mais líderes, diversificando e desconcentrando as indicações. É tarefa hercúlea, fatia considerável dos resultados advém do brilho do protagonismo, da autopromoção, é inexorável o embate temporal, em determinadas circunstâncias. Mas a conexão rotária deve prevalecer. Todos somos líderes, e o ambiente democrático do Rotary permite propostas divergentes, não necessariamente beligerantes. Tolerância e rotatividade são cláusulas pétreas da constituição rotária.

No meu sonho de consumo rotário, teríamos dez ou doze posições ocupadas por sul-americanos no Rotary-TRF, nos próximos cinco anos. O Rotary inseriu diversidade nos seus valores e a cultural é uma faceta da diversidade. O fato é: a América do Sul está sub-representada no Rotary. Mas a ocupação do espaço, no Rotary moderno, passará por estratégia, qualificação e apresentação de resultados. A começar pelo crescimento do quadro associativo e da arrecadação para a Fundação, cujos promotores serão os futuros líderes no nosso continente.

Quem sabe não teríamos um South American Storm no Rotary?

 

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